domingo, 24 de maio de 2009

CARA, ADOREI ISSO...
ACHEI NUM BLOG E NÃO RESISTI...
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Tá no inferno, abraça o capeta

Há algumas semanas, depois de muita insistência do Paulo, cedi e fui com ele fazer compras no Makro, onde confesso que morri um pouquinho por dentro.

Minha primeira e única ida ao Makro havia sido aos 9 anos de idade, e desde então eu não havia sentido a menor necessidade — econômica, financeira, antropológica ou sociológica – de voltar ao supermercado em que os carrinhos são puxados em vez de empurrados, deixando bem claro o papel de BURRO do cliente.

Acontece que, curiosamente, minha primeira ida ao Makro havia coincidido com minha primeira crise abissal de enxaqueca, o que me permitiu conhecer, além do Makro, o pronto-socorro do Makro, a enfermeira de plantão do Makro e o baldinho para vômito do Makro. Depois de passar mal mais de dez vezes, tomar plasil na veia e não melhorar, alguém teve a brilhante idéia de me tirar de dentro do Makro e…SHAZAM!…fiquei curada.

Ao que tudo indica, o cheiro da poveza já me incomodava desde pequena.

Mas divago, já que estava contando justamente do dia em que afinal resolvi dar uma segunda chance ao Makro e seus carrinhos que andam ao contrário, seus clientes FEOS de beleza exótica e seu frio inexplicável. Dois mil e oito vai ficar para sempre marcado na minha memória como o ano em que esse dia aconteceu. Por pura pressão do Paulo, misturada com uma sensação de culpa imensa por estar gastando mais que o necessário no supermercado limpinho e organizado na esquina de casa.

Entramos no Makro e automaticamente o Paulo se transformou num comprador alucinado, que parecia estar se preparando para entrar naquele bunker dos Flanders com o Homer Simpson.

[Paula]: Para que diabos precisamos de SESSENTA E QUATRO rolos de papel higiênico?

[Paulo]: Ué, ao longo da vida vamos usando…

[Paula]: Claro. E enquanto isso, guardamos onde, mesmo?

[Paulo]: Ah Paula, deixa de ser babaca que nosso apartamento tem duzentos e setenta metros quadrados.

[Paula]: Puxa, é mesmo, vamos encher tudo de papel higiênico, então!

Com meu tom de ironia, consegui que o Paulo se contentasse com uma embalagem de apenas trinta e dois pacotes de papel higiênico. A partir daí, eu já sabia que aquilo seria mais que uma mera ida ao supermercado.

Paulo parecia uma criança na loja de brinquedos, queria comprar diumtudo, no maior tamanho possível. Ele olhava todas as marcas disponíveis, os preços, e tomava as decisões. Pegamos um balde de maionese que me lembrou meus baldinhos de areia na praia do Leblon. Quase perguntei se íamos abrir uma barraquinha de cachorro-quente, mas deixei quieto.

Ao longo dos anos, descobri que a sobrevivência de uma relação depende diretamente da sua capacidade de escolher suas batalhas e entubar baldes de cinco quilos de maionese esculhambando a organização da sua geladeira. Mesmo que você tenha TOC e a organização da sua geladeira seja tão importante na sua vida como a cura do câncer.

Não só entubei, como também resolvi entrar um pouco no clima e observei os demais baldões nas redondezas:

[Paula]: Olha aquele vidrão de azeitonas!

[Paulo]: Mas a marca é ARO.

[Paula]: E DAÊ?

[Paulo]: Daí que ARO é a marca do MAKRO.

Ah tá. A pessoa não tem nenhum pudor de se despencar de carro pra um longínquo supermercado com carrinhos que mais parecem pequenas empilhadeiras, clientes que mais parecem psicopatas e comidas em quantidades como se não houvesse amanhã, mas tem a pachorra de ser fresco com “a marca do MAKRO”?

[Paula]: Mas amigo, você ESTÁ no MAKRO. Tá no inferno, abraça o capeta.

Dois segundos depois, Paulo já estava abraçado a dez quilos de azeitonas ARO. Melhores amigos.

[Paula]: Ow. Antes de sair comprando, veja a validade dessas coisas, que essas comidas de vidro sempre têm umas letrinhas miúdas “depois de aberto, consumir em xis dias”.

[Paulo]: Hum, vejamos. Aqui diz: “Depois de aberto, consumir em 3 dias”.

DEZ. QUILOS. DE. AZEITONA.

Paulo ainda fez os olhinhos do Gato de Botas do Shrek, abraçado ao vidro de azeitonas.

[Paula]: Querido. Nós não temos um restaurante, lembra?

Pra completar, no MAKRO só se paga com dinheiro vivo, cash, bufunfa. Cartão de crédito, cartão de débito, cheques, tecnologia e civilização, não trabalhamos. O resultado da economia que você faz se não tiver pudores de ter cinqüenta rolos de papel higiênico em casa, um shampoo de trinta litros e um balde de maionese onde você pode mergulhar seu filho de 4 meses? = a maior conta de supermercado de toda a história antiga e contemporânea da sua vida e de todos os seus antepassados.

“Mas as coisas vão durar muito mais tempo”, disse o Paulo, pouco antes de comer toda uma caixa de trinta Prestígios.

E eu, de joelhos, jurei amor eterno ao meu mercadinho limpo e caríssimo da esquina.

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